sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


Paladar

Doce, salgado, azedo, amargo, ardido, o paladar humano é capaz de reconhecer tais características em tudo que é consumido. Porém, comigo é diferente, meu paladar possui uma particularidade, reconhece somente dois sabores. O primeiro é o gosto bom e forte do seu beijo. O segundo é a amargura da dúvida.

Por alguns meses senti este doce todo santo dia, nem mesmo uma enorme barra de chocolate ou um bolo daqueles de festa tiravam o sabor que você deixou em minha boca. Não havia remédio azedo que deixasse gosto de cabo de guarda-chuva.  Mas a droga é que o tempo passa. O sabor ruim da indiferença se mistura ao gosto bom, pra falar a verdade, aquele ganhou espaço de uns dias pra cá.

Os animais sentem quando vão morrer e eu sinto que nosso caso está perto do fim. Daí o amargo ocupar espaço considerável em minha boca, é um preparativo para o que virá e para o que será daqui por diante.

Contudo, independentemente do que o futuro reserva em relação a nós dois, não deixarei este gosto ruim estragar tudo. Mesmo que você um dia você seja apenas mera fotografia que o tempo tomará conta de amarelar, há algo que nem o tempo destruirá, o gosto bom e forte do seu beijo.

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